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estorias_de_decio

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estorias_de_decio [2011/11/02 22:56]
decio
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cartola [PRIMEIRA ESTORIA]
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 +====== Introdução ======
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 +Essas são estórias e diários do meu falecido pai, Decio Ramos de Carvalho (09/09/1931 - 22/09/2018), escritas durante vários anos. No início a ideia era que ele usasse essa escrita como incentivo para aprender a usar o computador, o que realmente acho que funcionou. Ao final costumava acessar razoavelmente bem seu email no gmail e jogava alguns joguinhos. Inicialmente ele usava o FreeBSD como sistema operacional, mas depois de um tempo, quando passou a precisar de mais ajuda do que conseguíamos dar eu e meu irmão, acabamos por instalar o Windows mesmo. Ainda mais um detalhe, essas estórias foram à princípio editadas num editor de textos, se não me engano o Staroffice, e mais tarde convertidas para o mediawiki, onde nasceu este site, convertido para dokuwiki em 2019.
 +
 +Vou iniciar uma correção geral no texto, que poderá ser recuperado no histórico. A correção visa apenas erros de digitação e não vejo perda de originalidade com isso, ainda mais com o histórico mantido pelo wiki.
 +
 +=== Página relacionada ===
 +
 +Além dessas histórias escritas pelo Decio, vou criar também uma página chamada [[lembrancas_de_decio|Lembranças de Decio]] para guardar fatos e coisas que tenho encontrado a medida que esvazio o apartamento dele para venda. É interessante como esse processo vai revelando coisas que não sabia dele e me dando visão mais clara de aspectos de sua personalidade.
 ====== Sábado, 28 de novembro de 1998 ====== ====== Sábado, 28 de novembro de 1998 ======
  
  
-Ontem dia 27 novembro 1998 não consegui iniciar os "trabalhos" neste terminal. É que fiquei desde o dia 04.11.1998 sem manter contato com este terminal. Vou desligar e voltar a ligar sem assistencia do meu "manager". Para não depender apenas da minha memoria anotei num papal os passos iniciais a serem cumpridos para chegar a este "arquivo/file named new file estorias decio"+Ontem dia 27 novembro 1998 não consegui iniciar os "trabalhos" neste terminal. É que fiquei desde o dia 04.11.1998 sem manter contato com este terminal. Vou desligar e voltar a ligar sem assistência do meu "manager". Para não depender apenas da minha memoria anotei num papal os passos iniciais a serem cumpridos para chegar a este "arquivo/file named new file estórias Decio"
  
-Hoje é sabado dia 28 novembro 1998. Por isto vou encerrar minhas atividades junto a este terminal. Espero que seja o mais tardar amanhã 29 novembro 1998. +Hoje é sábado dia 28 novembro 1998. Por isto vou encerrar minhas atividades junto a este terminal. Espero que seja o mais tardar amanhã 29 novembro 1998. 
  
  
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-====== PRIMEIRA ESTORIA ======+====== PRIMEIRA ESTÓRIA ====== 
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 +O nome da cidade era Fundão, pequena cidade a uns 60km. de Vitória capital do Estado do Espirito Santo, por volta dos anos 1930. A pequena cidade tinha prefeitura, estação de trens da Ferrovia Vitoria-Minas, igreja católica, cujo padroeiro era São José, também igreja dos pentescostes, dos batistas, tinha candomblé, parece que também tinha casas de tolerância que, se não me engano chamava-se Maria das Anjas. Campo de futebol, grupo escolar, cujo diretor era o professor Lé (Antônio Lé). Café era o produto maior da área, e o maior produtor de cafe pilado da cidade era o Popó, batizado Hipólito Agostini.Além de produzir ele também comprava a produção dos outros para pilar nas suas máquinas. Ele com o irmão José Agostini tinham a firma Ângelo Agostini & Cia. Um outro irmão deles César, era o médico excelente Dr. César Agostini, boa pinta, falante que chegou a eleger-se prefeito da cidade. Antes dele o prefeito era o "seu" Getúlio Miranda, um vizinho nosso. Naqueles anos 30 já estava instalada no país a "era Vargas" sob o comando do gaúcho Getúlio Vargas que assumiu o governo da República exatamente em 1930, e passou a comandar o país de norte a sul com uma força incrível. Posteriormente, em 1937 deu um golpe de estado e implantou finalmente uma ditadura forte. Mesmo numa cidade pequena como aquela, Getúlio era o nome mais falado em todas as esquinas, bares, bilhares. Só se falava em Getúlio, e sempre mencionando algum feito do Getúlio. Naturalmente ninguém tinha nem vontade de falar mal do Getúlio. Nos meus 4 pra 5 anos de idade o Getúlio falado era o nosso vizinho, que eu achava que era o máximo. O meu mundo era Fundão e o cara mais falado dali era o Getúlio,que não era o "seu" Getúlio nosso vizinho e sim o Chefe da Nação como era anunciado antes dos discursos que naquela época (4 anos). Eu felizmente não escutava nem sabia que existia, graças a Deus.  
 + 
 +Me impressionava o "seu" Getúlio. Outra figura que também conhecida era o seu Janjão, o dono da padaria, onde tinha o bilhar e o bar frequentado naquela parte da cidade onde eu morava numa casa grande com um excelente pomar nos fundos do quintal, plantado por meus pais, na base de chupar uma manga, gostar e plantar o carôço. Seu Janjão era casado com dona Euflorzina, se não me engano, e contavam que pra saber se a empregada dela estava com febre alta ela encostava o pé, em vez de usar as costas da mão como todo mundo fazia. 
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 +Dia 10/12/98, 18 horas. Por hoje acabou meu tempo disponível. Espero voltar o mais depressa possível. Vamos vez se a motivação deste "conto" me faz demorar o mínimo possível longe deste terminal.
  
 +=== 21/12/1998 ===
  
-O nome da cidade era Fundão pequena cidade a uns 60 kmsde Vitoria capital do Estado do Espirito Santopor volta dos anos 1930. A pequena cidade tinha Prefeitura, Estação de trens da Ferrovia Vitoria-Minas Igreja Católica cujo padroeiro era São Josétambem Igreja dos Pentescostesdos Batistas, tinha candomble , parece que tambem tinha casas de tolerancia que, se não me engano chamava-se Maria das Anjas. Campo de FutebolGrupo Escolar cujo diretor era o Professor Lé (Antonio Lé). Café era o produto maior da área, e o maior produtor de cafe pilado da cidade era o Popó , batizado Hipolito Agostini.Além de produzir ele tambemcomprava a produção dos outros para pilar nas suas máquinas. Ele com o irmão José Agostini tinham a firma Angelo Agostini & Cia. Um outro irmão deles Cesar, era o médico excelente Dr. Cesar Agostini, boa pinta, falante que chegou a eleger-se Prefeito da Cidade. Antes dele o Prefeito era o "seu" Getulio Miranda , um vizinho nosso. Naqueles anaos 30 já estava instalada no país a "era Vargas" sob o comando do gaucho Getulio Vargas que assumiu o governo da República exatamente em 1930, e passou a comandar o país de norte a sul com uma força incrivel. Posteriormente , em 1937 deu um golpe de estado e implantou finalmente uma ditadura forte. Mesmo numa cidade pequena como aquela Getulio era o nome mais falado em todas as esquinas, bares, bilhares. Só se falava em Getulio, e sempremencionando algum feito do Getulio. Naturalmente ninguem tinha nem vontade de falar mal do Getulio. Nos meus 4 pra 5 anos de idade o Getulio falado era o nosso vizinho, que eu achava que era o máximoO meu mundo era Fundão o cara mais falado dali era o Getulio,que não era o "seu" Getulio nosso vizinho e sim o Chefe da Nação como era anunciado antes dos discu r sos que naquela época (4 anos). Eu felizmente não escutava nem sabia que existia, Graças a Deus+Hoje já é dia 21 de dezembro 19982afeiraestamos em torno das 20 horas. A sensação de escrever é bem motivantetalvezaliás certamenteporque são coisas que me recordam minha infância, meus primeiros anos de vidaMas estas coisas permanecem muito vivas na minha memória é gostoso relembrá-las.
  
-Me impressionava o "seu" Getulio. Outra figura que tambemconhecida era o seu Janjão, o dono da padaria, onde tinha o bilhar e o bar frequentado naquela parte da cidade onde eu morava numa casa grande com um excelente pomar nos fundos do quintal, plantado por meus pais , na base de chupar uma manga, gostar e plantar o carôço. Seu Janjão era casado com dona Euflorzina, se não me engano, e contavam que pra saber se a empregada dela estava com febre altae la encostava o pé, em vez de usar as costas da mão como todo mundo fazia. Dia 10/12/98. 18 horas . Por hoje acabou meu tempo disponivel. Espero voltar o mais depressa possivel. Vamos vez se a motivação deste "conto" me faz demorar o mínimo possivel longe deste terminal.Hoje já é dia 21 de dezembro 1998, 2a. feira, estamos em torno das 20 horas. A sensação de escrever é bem motivante, talvez, aliás ceretamente porque são coisas que me recordam minhainfancia, meus primeiros anos de vida. Mas estas coisas permanecem muito vivas na minhamemoria, e é gostoso relembra-las. Vivi nesta pequena cidade de Fundão até antes de completar meus ssete(7) anos. Entre as mil e uma coisas que nunca sairam da minha memória estão a casa grande de assoalho de madeira, taboas largas, o quintal/pomar plantado por "seu"Luizinho e d.Ignácia, aliás mais por ela, é claro. Do lado da casa tinha uma garagem onde meu pai cuidava dos onibus e caminhões , pois ele tinha uma empresa(pequena) de transportes. Numa das vezes em que, num dia de domingo ele me levou de caminhão até o rio , e lá ele lavou o caminhão. Quando voltavamos pra casa, eu de pé e não sentado na "boleia", esbarrei na para brisa e quebrei um pedaço dum dente. Lembro tambem de uma tromba dagua que entre outras coisas atingiu uma usina de luz que iluminava a cidade, ou parte dela. O nivel do rio creceu muito e saiu fora do seu leito. Os bailes de carnaval que eram feitos no edificio do cinema e dos quais participavam todas as pessoas conhecidas . Me lembro do "seu"Getulio fantasiado durante o dia. O baile era ã noite no cinema. O baterista da banda que tocava no baile de carnaval era um dos motoristas da empresa do meu pai: o Arlindo, um mulato fortão, simpatico que devia fazer muito sucesso coma mulherada. Me agradava muito quando ele dava uma colher de chá na banda; acho que eu só atr apalhava. Porhoje é só. Aqui fico : dia 21/12/1998. +Vivi nesta pequena cidade de Fundão até antes de completar meus sete(7) anos. Entre as mil e uma coisas que nunca saíram da minha memória estão a casa grande de assoalho de madeira, tábuas largas, o quintal/pomar plantado por "seu"Luizinho e Dna Ignácia, aliás mais por ela, é claro. Do lado da casa tinha uma garagem onde meu pai cuidava dos ônibus e caminhões, pois ele tinha uma empresa (pequena) de transportes. Numa das vezes em que, num dia de domingo ele me levou de caminhão até o rio, e lá ele lavou o caminhão. Quando voltávamos pra casa, eu de pé e não sentado na "boleia", esbarrei na para brisa e quebrei um pedaço dum dente. Lembro também de uma tromba d'água que entre outras coisas atingiu uma usina de luz que iluminava a cidade, ou parte dela. O nível do rio cresceu muito e saiu fora do seu leito. Os bailes de carnaval que eram feitos no edifício do cinema e dos quais participavam todas as pessoas conhecidas. Me lembro do "seu" Getúlio fantasiado durante o dia. O baile era à noite no cinema. O baterista da banda que tocava no baile de carnaval era um dos motoristas da empresa do meu pai: o Arlindo, um mulato fortão, simpático, que devia fazer muito sucesso coma mulherada. Me agradava muito quando ele dava uma colher de chá na banda; acho que eu só atrapalhavaPor hoje é só. Aqui fico: dia 21/12/1998. 
  
  
estorias_de_decio.1320281768.txt.gz · Última modificação: 2011/11/02 22:56 por decio