Aplicativos de Celulares para Panorâmicas Imersivas 360×180°

Oi pessoal,

já faz algum tempo que tenho usado o aplicativo Google Camera no meu celular, um Samsung Galaxy S3 (i9300) adquirido em 2013. Ele hoje está com um sistema alternativo, chamado Cyanogenmod, que me permitiu rodar o Android 4.4.4 (Kit Kat) e com isso melhorar um pouco o desempenho e permitir o uso de alguns aplicativos mais modernos, como este que vou mostrar aqui. Digo isso pois talvez o aplicativo em outros aparelhos, ou mesmo neste aparelho com um sistema mais antigo, não seja compatível ou não tenha todas as funcionalidades que vou comentar, notadamente a capacidade de fazer uma Foto Esférica (Photo sphere).

Outro aplicativo equivalente nos dispositivos iCoisas é chamado simplesmente de Photo Sphere (veja artigo no Jornal O Globo). O aplicativo é da própria Google, mas até onde sei (não tenho um iCoisa) tem funcionalidades limitadas se comparado com o Google Camera do Android. Na única vez que o utilizei num iPhone ele só tinha as fotos esféricas, que é o mais legal alias.

O primeiro passo é instalar, o que assumo aqui que vocês já sabem. Quem ainda não reparou, nos dois parágrafos acima estão os links sobre os nomes dos aplicativos, mas é bem fácil também procurar pelos nomes direto nas “lojas” dos seus portáteis. No Android o ícone dele instalado é um robozinho verde, como mostrado na figura 1. Esse é, alias, o símbolo do Android.

Ícone do aplicativo

Figura 1: Ícone do aplicativo

A carona inicial do aplicativo, mostrada quando entramos nele, é mais ou menos como mostrado na figura 2, abaixo, podendo variar talvez entre dispositivos.

Tela inicial ao abrir

Figura 2: Tela inicial ao abrir

Arrastando o canto esquerdo da tela pro meio a gente abre as opções de modo de funcionamento: Photo Sphere, Panorama, Efeito foco, Câmera e Vídeo, como mostrado na figura 3. Por padrão ele entra na Câmera na primeira vez que usamos.

Seleção dos modos de operação

Figura 3: Seleção dos modos de operação

Clicando sobre um deles partimos para fazer a foto ou vídeo, de acordo com o modo escolhido.

Câmera e Vídeo

A “Câmera” e “Vídeo” são os tradicionais. Enquadramos e clicamos pra tirar uma foto ou iniciar um vídeo. Os três pontinhos abaixo à direita, ainda sobre a cena (vide figura 2), abrem opções para trocar de câmera (traseira pela dianteira e vice versa), escolher o modo do flash, etc (figura 4).

Opções da Câmera

Figura 4: Opções da Câmera

Podemos ainda clicar em qualquer ponto da cena para que ele faça o foco naquele trecho. Isso é mostrado pelo círculo que indica o foco quando clicamos. Na figura 5, por exemplo, selecionei pra fazer o foco sobre o teclado do telefone na cena.

Círculo de foco deslocado

Figura 5: Círculo de foco deslocado

Photo Sphere

A função que motivou esse artigo é a Photo Sphere. Selecionando-a (a figura 3 mostra a seleção de modos) o aparelho te mostra uma pequena tela com a cena enquadrada e uma bolinha branca que vai ficar azul quando você colocar o celular de pé pra que ela fique no meio da cena.

Foto esférica com bola branca orientadora

Figura 6: Foto esférica com bola branca orientadora

O aparelho vai fazer todas as fotos sozinho, basta que você o gire encaixando as bolinhas brancas, que vão aparecendo com o giro e ficando azuis, no círculo vazado central. Veja na figura 7 como a bola fica azul ao se aproximar do centro do círculo.

Bola azul

Figura 7: Bola azul

Dica importantíssima: o ideal, principalmente em cenas com linhas geométricas (paredes, ruas, muros, postes, janelas, arquitetura, etc), é girar em torno do eixo que passa pela lente do celular. Pra mais detalhes vejam esse outro artigo que inclui uma dica de como usar um prumo (philopod) para fazer o giro. Isso pode também ser entendido da seguinte forma: gire o celular em torno dele mesmo e não em torno de você. Tome, por exemplo, um ponto de referência no chão sobre o qual ele deve permanecer.

A qualquer momento você pode cancelar o processo clicando no X lá embaixo à direita (figura 8).

Photo Sphere: tirando as fotos

Figura 8: Photo Sphere: tirando as fotos

Pode finalizar a panorâmica, mesmo parcial, clicando no “check”, lá embaixo no centro. Finalizando o aparelho vai tratar, cortar e finalizar a panorâmica. Enquanto isso ele volta pra tela pra fazer uma nova panorâmica. Arrastando a tela pelo canto direito em direção ao centro, você entra na galeria de fotos, como a mostrada na figura 9.

Galeria de fotos do app

Figura 9: Galeria de fotos do app

Se fizer isso assim que acabar de fotografar uma Photo Sphere, ela provavelmente ainda estará sendo processada e é preciso esperar acabar para poder vê-la. Quado o processamento terminar vai aparecer um botão pra você visualizá-la como uma foto esférica. Esse botão é o segundo lá embaixo mostrado na figura 9. Clicando nesse botão você poderá “imergir” na foto olhando pra cena como se estivesse lá. Arrastando com o dedo você escolhe pra onde olhar e pode aproximar ou afastar (zoom) usando os dois dedos.

Adicionalmente, quando estiver girando, vai aparecer lá embaixo no canto esquerdo (se seu modelo de telefone tiver giroscópio – e nem todos tem) uma setinha dupla inclinada, tipo a agulha de uma bússola, como mostrado na figura 10.

Agulha do giroscópio canto inferior esquerdo

Figura 10: Agulha do giroscópio canto inferior esquerdo

Clicando nessa agulha você vai navegar pela foto apenas girando seu telefone no espaço, sem tocar em nada! É muito legal!

Esse tipo de recurso é muito bom também para aumentar o ângulo de visão da lente do celular. Veja as fotos abaixo, por exemplo. A primeira é uma foto simples, com o ângulo da lente do aparelho. A segunda foi feita com a Google Camera, juntando várias fotos. De quebra o aparelho ainda nivelou a foto, deixando os prédios corretamente na vertical. As cores acabam mudando também, pois ele trata as fotos para que as junções não apareçam.

foto_fov_normal

Figura 11: Foto com câmera comum – FOV da lente

Foto com Photo Sphere parcial - FOV aumentado

Figura 12: Foto com Photo Sphere parcial – FOV aumentado

Se você seguir com as fotos até preencher toda a esfera visual o aplicativo encerra sozinho a panorâmica e inicia o tratamento. Novamente é preciso arrastar a tela da direita pra esquerda a partir do canto direito para ir à galeria. Se seu telefone estiver sincronizando suas fotos com sua conta no Google, então ela vai ser também automaticamente enviada e ficará disponível pra navegação como foto esférica online em qualquer navegador. A foto abaixo, por exemplo, pode ser navegada de qualquer lugar. Experimente, clique nela!

Panorâmica esférica da Catedral de São Sebastião no RJ

Figura 13: Panorâmica esférica da Catedral de São Sebastião no RJ

Panorâmicas

Outro modo de operação da câmera, que na prática não costumo usar, é o de panorâmicas. Não uso por que na minha opinião o de fotos esféricas, o Photo Sphere, me atende bem com panorâmicas parciais, é só terminar antes de fechar a esfera completa. De qualquer forma vamos lá, pois o sub-modo olho de peixe pode ser útil e não dá pra alcançar esse resultado na Photo Sphere.

Ao entrar nesse modo pela primeira vez, a panorâmica horizontal provavelmente será a opção padrão. Como na câmera comum, aparecerão três pontinhos para a escolha de opções (vide figura 5). Clicando ali podemos escolher entre 4 modos de panorâmicas. O primeiro modo seleciona panorâmicas horizontais. O segundo é para panorâmicas verticais e o terceiro panorâmica quadrada, que na prática vai permitir 3 linhas de fotos e 3 colunas para compor uma panorâmica e vai te entregar uma imagem retangular. O último modo, o olho de peixe (fisheye), vai permitir uma panorâmica feita com 7 x 7 fotos e vai dar um acabamento arredondado à imagem final, como é característico dessas lentes. Escolhendo ele a tela mostra bolinhas brancas, como na figura 14, indicando as direções que podem ser percorridas.

Modo panorâmicas

Figura 14: Modo panorâmicas

Os modos de panorâmica horizontal e vertical vão fazer fotos apenas no sentido correspondente e podem fazer até fechar os 360° naquele sentido. Se você quiser pode parar a qualquer momento, a exemplo do que comentei nas fotos esféricas.

Efeito de Foco

Esse efeito é interessante. Ele vai simular o desfoque de fundo que em geral só se consegue em câmeras profissionais com lentes com grandes aberturas de diafragma. Você basicamente bate a foto e ele faz o resto. Na figura 15 um exemplo de uma que fiz com o efeito. Infelizmente não fiz outra sem o efeito para comparar e já comi as bananas! :)

Efeito foco

Figura 15: Efeito foco

Espero que tenham gostado do artigo e do aplicativo e que façam bom uso do mesmo.

Abs, Cartola.

Fotografia Panorâmica do século XVIII

Pra quem acha que fotografia panorâmica é coisa recente, essa foto foi feita no século XVIII. Os registros das primeiras panorâmicas criadas datam praticamente da mesma época da invenção da fotografia. Não demorou muito pro pessoal já querer juntar uma foto com a outra. Visitei, em novembro de 2014, o Museu Histórico Nacional e encontrei esse quadro totalmente por acaso. Como um entusiasta das panorâmicas não pude deixar de registrar a foto.

Como pode ser visto na pequena placa ao lado do quadro, o autor se chama James Dickson, o que me leva a crer que não era um brasileiro. Clique para ampliar a foto.

Panorâmica em Litografia de James Dickson - séc XVIII - Rio de Janeiro

Panorâmica em Litografia de James Dickson – séc XVIII – Rio de Janeiro

Placa sobre a foto

Placa sobre a foto

 

Ponto SEP – Descanse em Paz “ponto nodal”

Oi pessoal!

Não sei se todos que lerem isso já terão ouvido falar num tal de “ponto nodal”. Bom, que não ouviu é melhor nem perder tempo. Esquece logo! Por que, segundo conceitos de ótica (física) é incorreto o uso que se faz do termo no mundo da fotografia panorâmica. O termo é comumente utilizado para indicar o ponto sobre o qual passa o eixo ideal de giro para se tirar várias fotos com o objetivo de uni-las depois, formando uma panorâmica. Esse ponto pode ser entendido como a “entrada da iris da lente da câmera”, a “pupila” da lente.

O que é esse ponto afinal?

Girando a câmera, seja na horizontal, vertical, qualquer direção, em torno de um eixo que passe por esse ponto, a perspectiva dos objetos da cena não se alterará.  Em outras palavras posição relativa dos objetos se manterá à medida em que a câmera gira. Por exemplo, se um poste mais próximo está em frente a um carro lá longe e isso está no canto esquerdo da minha primeira foto, ao girar a câmera pra esquerda, colocando esses dois elementos à direita da tela pra fazer a segunda foto, eles se manterão na mesma posição entre si, ou seja, o poste na frente da mesma parte do carro. Se eu fizer o giro saindo desse ponto haverá um “Erro de Perspectiva” na junção das fotos, simplesmente por que a perspectiva mudará se eu me deslocar, se a pupila da lente mudar de lugar.

O termo em inglês mais usado é NPP, que é a sigla de No Parallax Point, cuja tradução livre pode ser o Ponto sem Erro de Perspectiva. Uma boa sugestão pra chamá-lo em bom português me parece então ponto SEP e vou passar a mencioná-lo assim aqui no meu site.

Pra tentar entender melhor isso veja esse artigo que publiquei aqui. Outra fonte de informação também é esse manual.

Abs, Cartola.

Acertando o nadir de uma panorâmica imersiva usando a ferramenta clone

Oi pessoal,

existe, na maioria dos editores avançados de imagem, uma ferramenta comumente chamada de “clone” ou “clonagem”. Ela é uma boa opção para acertar a visão para baixo, o chamado nadir, de sua panorâmica 360º. Sabe aquele buraco que o tripé deixa? Pois é, ele costuma ser um tormento pra quem está começando e nesse pequeno vídeo mostro um acerto real que fiz numa panorâmica que será a próxima a ser publicada aqui no blog.

No início do vídeo o panorama é mostrado usando a ferramenta Panini, com a qual abri a imagem equirretangular. O Panini é capaz de abrir também as 6 faces do cubo da panorâmica.

Decidi mostrar no vídeo só essa etapa isolada da clonagem para acerto do nadir, fora isso é necessário que você saiba:

  • Fotografar uma imersiva
  • Tratar e costurar as imagens
  • Gerar as faces do cubo
  • Usar um editor avançado – eu usei o GIMP
Acertando Nadir com Clone

Acertando Nadir com Clone

Espero que seja útil.

Abraços, Cartola.